28 de agosto de 2012
15 de agosto de 2012
Nada foi perdido.
Esse incêndio que destruiu a coleção de Romeno Boghici, no Rio, ilustra bem os debates que eu travava na faculdade de arte. Algumas pessoas acham que arte está presa fundamentalmente a quadros e a artistas e que você só faz sucesso se for apadrinhado por um curador, eu discordo, isso é mais uma tentativa de hierarquizar a coisa e por o controle da situação na mão de alguns fechados em panelas. É o
business da arte, ego, estes não estão chorando a perda das obras em si, mas sim a perda dos milhões e milhões de reais que viraram cinzas graças a um aparelho de ar condicionado falho. E para nós, que não somos convidados por Romeno para visitar seu ap, a arte morreu por isso? Não,
Creio que uma obra quando nasce, ela vira uma idéia independente inclusive do seu artista, não importando nem sua plataforma, se foi feita em um quadro, em uma parede velha ou desenhada na areia com graveto e fotografada depois, no fim tudo vira impressão. Em todo caso, essas obras de Romeno perdidas, devem ter alcançado muito mais mentes pelas suas replicações na internet (que muitas vezes viraram papeis de parede contempladas sem pressa), pelos livros, revistas e mesmo pelas replicas vendidas em lojas de decoração, do que pelas limitadas exposições em museus distantes. Isso faz a obra estar além dos seus quadros.
E se, eventualmente, a Mona Lisa queimasse também? Algo mudaria? Se mudar é para melhor, aliás, posso até imaginar que os gênios artistas dessas obras da coleção de Romeno, podem ter voltado, em forma de espírito ou algo parecido, esperaram o momento certo e atearam fogo no apartamento em que suas pinturas estavam trancafiadas, e assim as libertaram. Suas obras agora não são mais os quadros físicos, suas obras agora são as fotografias infinitamente replicadas que agora, na ausência do original, herdam autenticidade, doa a quem doer.
Creio que uma obra quando nasce, ela vira uma idéia independente inclusive do seu artista, não importando nem sua plataforma, se foi feita em um quadro, em uma parede velha ou desenhada na areia com graveto e fotografada depois, no fim tudo vira impressão. Em todo caso, essas obras de Romeno perdidas, devem ter alcançado muito mais mentes pelas suas replicações na internet (que muitas vezes viraram papeis de parede contempladas sem pressa), pelos livros, revistas e mesmo pelas replicas vendidas em lojas de decoração, do que pelas limitadas exposições em museus distantes. Isso faz a obra estar além dos seus quadros.
E se, eventualmente, a Mona Lisa queimasse também? Algo mudaria? Se mudar é para melhor, aliás, posso até imaginar que os gênios artistas dessas obras da coleção de Romeno, podem ter voltado, em forma de espírito ou algo parecido, esperaram o momento certo e atearam fogo no apartamento em que suas pinturas estavam trancafiadas, e assim as libertaram. Suas obras agora não são mais os quadros físicos, suas obras agora são as fotografias infinitamente replicadas que agora, na ausência do original, herdam autenticidade, doa a quem doer.
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