15 de agosto de 2012

Nada foi perdido.

   Esse incêndio que destruiu a coleção de Romeno Boghici, no Rio, ilustra bem os debates que eu travava na faculdade de arte. Algumas pessoas acham que arte está presa fundamentalmente a quadros e a artistas e que você só faz sucesso se for apadrinhado por um curador, eu discordo, isso é mais uma tentativa de hierarquizar a coisa e por o controle da situação na mão de alguns fechados em panelas. É o
 business da arte, ego, estes não estão chorando a perda das obras em si, mas sim a perda dos milhões e milhões de reais que viraram cinzas graças a um aparelho de ar condicionado falho. E para nós, que não somos convidados por Romeno para visitar seu ap, a arte morreu por isso? Não,
   Creio que uma obra quando nasce, ela vira uma idéia independente inclusive do seu artista, não importando nem sua plataforma, se foi feita em um quadro, em uma parede velha ou desenhada na areia com graveto e fotografada depois, no fim tudo vira impressão. Em todo caso, essas obras de Romeno perdidas, devem ter alcançado muito mais mentes pelas suas replicações na internet (que muitas vezes viraram papeis de parede contempladas sem pressa), pelos livros, revistas e mesmo pelas replicas vendidas em lojas de decoração, do que pelas limitadas exposições em museus distantes. Isso faz a obra estar além dos seus quadros.
   E se, eventualmente, a Mona Lisa queimasse também? Algo mudaria? Se mudar é para melhor, aliás, posso até imaginar que os gênios artistas dessas obras da coleção de Romeno, podem ter voltado, em forma de espírito ou algo parecido, esperaram o momento certo e atearam fogo no apartamento em que suas pinturas estavam trancafiadas, e assim as libertaram. Suas obras agora não são mais os quadros físicos, suas obras agora são as fotografias infinitamente replicadas que agora, na ausência do original, herdam autenticidade, doa a quem doer.

15 de julho de 2012

A Floresta e o Gótico - Flavio de Carvalho


As catedrais góticas são reversões filogenicas aos antigos santuários na floresta.
O Gótico representa a fusão da vida vegetal e animal na floresta enquanto que o Barroco é uma expressão da luxúria do homem na cidade. O Barroco substituía o recalque de centenas de anos de cristianismo, substituía as necessidades orgiásticas e os feitos violentos do culto do Herói afastado, porque o Barroco era essencialmente lúbrico. A repressão ao Culto do Herói trazia um Barroco asfixiando e enterrando o cristianismo, precipitando o aparecimento de pensamentos dissolventes e trazendo o espírito secular que era início de internacionalização do espírito.
O Gótico é uma expressão e uma sobrevivência do Culto do Herói. Seria uma sobrevivência encapada e escondida em estado latente dentro de camadas antigas e quando se manifesta aparece como um fenômeno de reversão.
O Gótico mui apropriadamente aparece antes do Barroco assim como a floresta se encontra antes da cidade, o que nos leva a crer que o temperamento caracterizado pelo Gótico antecede também ao temperamento Barroco.
Não se pode dizer que o Gótico seja mais telúrico que o Barroco; as forças aglutinadoras do animal e do vegetal na floresta são tão telúricas quanto a luxúria do citadino, apenas a luxúria proveniente da aglutinação do animal e do vegetal na floresta é forçosamente anterior à luxúria do homem em virtude de suas posições na escala evolutiva.
A luxúria das selvas e a luxúria do citadino se apresentam como duas expressões fundamentais de temperamentos, a primeira produzindo o temperamento esquizotímico e a segunda o temperamento ciclotímico.
As selvas se encontram nos baixos planos enquanto que as cidades-massas de alvenaria se assemelham e identificam às rochas desnudas e de fato se situam com maior freqüência em cima dos picos e elevações e são formadas em torno de castelos que exerciam funções de defesa. Isto nos leva a crer na existência de um temperamento de baixo plano e na existência de um temperamento de montanha diferente do primeiro.
Nas suas expressões mais típicas o homem de baixo plano seria alto, fino, com extremidades compridas e cabeça alongada enquanto que o homem da montanha seria baixo, largo e de cabeça larga. Semelhantes condições são encontradas entre as raças Nórdica e Alpina e na América do Sul observa-se que o habitante do Chaco Boreal é alto e comprido e à medida que nos aproximamos das montanhas o habitante muda de tipo, diminui (diminpi) em altura e ao alcançar os Andes na Bolívia, entre os povos Aymarás, o habitante torna-se baixo e largo e de cabeça arredondada e com membros curtos. O índio sorridente do baixo plano é substituído pelo índio taciturno, triste e sem sorriso em cima dos Andes.
Os característicos polarizados do temperamento Gótico são em natureza e movimento, mais primitivos que os característicos polarizados do temperamento Barroco ou, para ser mais claro, se encontrariam antes do Barroco nas formações cíclicas de temperamento.
Os críticos embevecidos com o fantástico das linhas verticais sveltas do Gótico e com fuga aos detalhes clássicos da arquitetura, passam a considerá-lo como uma manifestação de liberdade e em virtude das grandes alturas alcançadas, como um movimento rumo a Deus. Nada mais errado. O Gótico não é uma manifestação de liberdade, mas sim uma reversão estético-erótica à “mise en scène” do antigo Culto do Herói na floresta e a altura alcançada é a altura das árvores na floresta e a estrutura da abóbada é a própria estrutura das copas das árvores juntadas umas às outras. A altura, a idéia de crescimento e o mistério do Gótico estão de acordo com o característico típico esquizotímico da raça Nórdica em cujos territórios ele floresce. As estranhas formas vegetais habitadas por monstros maravilhosos, seres lendários de um mundo sem fim, eram recordação de uma época em que o culto era praticado em plena floresta entre o uivo das feras e o canto dos pássaros, ao som de hinos monotonais e gritos de histeria, nos festivais fecundantes da primavera e do verão e durante o culto à Rainha deitada sobre o altar, se entregava ao herói, ante os olhares encantados da assistência, para garantir magicamente por imitação, a fertilidade da terra e a continuidade da espécie. Eventualmente o herói se tornava o próprio sacerdote.
Entre os teutônicos da raça Nórdica os templos eram no início o próprio bosque e as investigações feiras por Grimm sobre a palavra teutônica templo assim o indica.
É, precisamente, entre os povos da ração Nórdica onde o culto da árvore é mais intenso, entre os celtas nórdicos e os Germanos, povos em cujo território germinou e se desenvolveu o Gótico e que são também os povos que melhor conservam o Culto do Herói. Os Druidos (célticos) tinham um culto especial para com o carvalho.
Os Deuses e os Heróis eram personificados nas árvores da floresta e estas tinham propriedades anímicas e recebiam sacrifícios humanos: freqüentemente uma moça.
Todos esses fatores apontam para um estilo aparecendo como conseqüência da morfologia da floresta e da árvore, como conseqüência de forças telúricas, um estilo que se espalha pelas regiões baixas onde se encontram as florestas.
É um estilo que aparece por imposição de forças fundamentais da História apresentadas ao mundo no santuário do Herói e que pela sua potencialidade cria um temperamento Gótico que teria tomado parte preponderante na formação da raça nórdica, espalhada pelas regiões baixas.
A floresta se define então como base de uma cultura e de uma civilização. O biotipo e a raça são em grande parte funções da paisagem.    

Publicado originalmente no Diário de S. Paulo em 24 de fevereiro de 1957.
Transcrição, atualização ortográfica e fixação de texto por Flávia Cera

21 de junho de 2012

Recomeçando


Esse texto faz parte de um conceito pós-niilista, a sabedoria que adquirimos após abrirmos os olhos para o mundo e ver um futuro tenebroso. Após essa fase vem uma bela onda de pensamentos otimistas ao perceber que a natureza não está ameaçada, nós humanos é que estamos.Dessa forma após nossa partida a vida na terra vai reflorescer  e nossa passagem aqui não será mais que um espirro para o planeta e todo o plástico e todo o concreto deixado por nós será tomado por plantas rasteiras e novas espécies de animais surgirão após seus ancestrais terem tomado as desertas metropolis no passado ocupadas por homens.
O homem que se acha tão esperto e tem respostas para tudo, já treina astronautas para irem a Marte e pensa estabelecer um lar na lua, todas tentativas de fugir do seu quarto  bagunçado, pois acham que já é todo conhecido, que os mistérios existentes atrás do quarda-roupa já foram desvendados e o monstro que mora debaixo da cama já foi morto e enforcado.
Mas cabe falar do desimportante (para os homens) mundo dos oceanos, imenso tapete azul que serve apenas para levar os navios mercantes de um lado para o outro, de vez em quando é perfurado na busca de uma coisa preta que eles chamam de petróleo,é moradia também de peixes de metal que carregam bombas, e só, apenas para isso serve os oceanos. Mas que bom que o resto dele foi ignorado agora os homens querem sair do planeta e os deixaram pra trás.
Deixaram para trás a beleza deslumbrante de um mundo moldado sem gravidade, onde animais pesando toneladas flutuam e outros pesando gramas rastejam, um mundo onde cores em abundancia neutralizam a forma deixando tudo difícil de dizer se é bicho ou planta.E formas essas que estão dentro de outras formas, que estão dentro de outras formas, que estão dentro de outras formas. Coisas que o homem cientifico foi embora e não notou.
E agora o planeta terra está inabitado, a séculos, a milênios sem ver uma única pegada de botas a não ser aquelas deixada em concreto fresco, o importante mundo da superfície foi deixado para trás já sem tantas formas nem cores. Mas a vida dar um jeito, relembrando a mais remota teoria do homem cientifico, um peixe saiu do mundo desimportante para o mundo importante, criou pernas e continuou a caminhar, e atrás dele veio outro, e mais outro.
O desimportante tornou-se importante, e a natureza tratou assim de deixar tudo igual novamente em valores, ela que faz isso tão bem, agora admira orgulhosa um mundo equilibrado em que o menor ser tem igual importância ao maior, seres sem limites de forma nem cor compartilhando extrema beleza, um jardim natural em escala global que curiosamente do espaço dar para ver, e ler uma frase com letras em florestas amarelas que diz espero que não volte nunca mais.

4 de janeiro de 2012

Site da Diana e Mário Corso.

   Há pouco falei sobre o magnífico livro Fadas no Divâ da Diana e Mário Corso. Escrevi para a Diana parabenizando pelo livro e falando das minhas pretensões  com o tema, e para minha surpresa obtive uma resposta bastante dedicada dela. Ela me indicou alguns artigos do seu site, e bem pessoal...o site da moça é um espetáculo a parte! Cheio de textos interessantissimos, com a psicanalise de vários artigos que reflete sobre a tv e a literatura infantil, para mim que trabalho na area foi muito util.

http://www.marioedianacorso.com/



1 de janeiro de 2012

Algo "pé no chão"

   Tenho uma mocinha do Egito adicionada no meu msn, não sei como ela foi parar lá, se  foi eu ou ela quem adicionou, mas no entando rendeu boas conversas. Foi bem no periodo da revolução e ela me inspirou bastante, então fiz essa montagem para ela, ela me ajudou na tradução para o Arabe e mostrou a imagem para os coleguinhas de classe.Ela disse que eles gostaram :)
   As duas primeiras frases significa "Primavera Árabe" e a última é "Bem vindos á democrácia", hoje, com o desenrolar da coisa sabemos que não foi tão democracia assim, ams enfim...

   E segue mais dois outros desenhos de teor politico...