26 de junho de 2012
21 de junho de 2012
Recomeçando
Esse
texto faz parte de um conceito pós-niilista, a sabedoria que adquirimos após
abrirmos os olhos para o mundo e ver um futuro tenebroso. Após essa fase vem
uma bela onda de pensamentos otimistas ao perceber que a natureza não está
ameaçada, nós humanos é que estamos.Dessa forma após nossa partida a vida na
terra vai reflorescer e nossa passagem
aqui não será mais que um espirro para o planeta e todo o plástico e todo o
concreto deixado por nós será tomado por plantas rasteiras e novas espécies de
animais surgirão após seus ancestrais terem tomado as desertas metropolis no
passado ocupadas por homens.
O
homem que se acha tão esperto e tem respostas para tudo, já treina astronautas
para irem a Marte e pensa estabelecer um lar na lua, todas tentativas de fugir
do seu quarto bagunçado, pois acham que
já é todo conhecido, que os mistérios existentes atrás do quarda-roupa já foram
desvendados e o monstro que mora debaixo da cama já foi morto e enforcado.
Mas
cabe falar do desimportante (para os homens) mundo dos oceanos, imenso tapete
azul que serve apenas para levar os navios mercantes de um lado para o outro,
de vez em quando é perfurado na busca de uma coisa preta que eles chamam de petróleo,é
moradia também de peixes de metal que carregam bombas, e só, apenas para isso
serve os oceanos. Mas que bom que o resto dele foi ignorado agora os homens
querem sair do planeta e os deixaram pra trás.
Deixaram
para trás a beleza deslumbrante de um mundo moldado sem gravidade, onde animais
pesando toneladas flutuam e outros pesando gramas rastejam, um mundo onde cores
em abundancia neutralizam a forma deixando tudo difícil de dizer se é bicho ou
planta.E formas essas que estão dentro de outras formas, que estão dentro de
outras formas, que estão dentro de outras formas. Coisas que o homem cientifico
foi embora e não notou.
E
agora o planeta terra está inabitado, a séculos, a milênios sem ver uma única
pegada de botas a não ser aquelas deixada em concreto fresco, o importante mundo
da superfície foi deixado para trás já sem tantas formas nem cores. Mas a vida
dar um jeito, relembrando a mais remota teoria do homem cientifico, um peixe
saiu do mundo desimportante para o mundo importante, criou pernas e continuou a
caminhar, e atrás dele veio outro, e mais outro.
O
desimportante tornou-se importante, e a natureza tratou assim de deixar tudo
igual novamente em valores, ela que faz isso tão bem, agora admira orgulhosa um
mundo equilibrado em que o menor ser tem igual importância ao maior, seres sem
limites de forma nem cor compartilhando extrema beleza, um jardim natural em
escala global que curiosamente do espaço dar para ver, e ler uma frase com
letras em florestas amarelas que diz “espero que não volte nunca mais“.
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