21 de junho de 2012

Recomeçando


Esse texto faz parte de um conceito pós-niilista, a sabedoria que adquirimos após abrirmos os olhos para o mundo e ver um futuro tenebroso. Após essa fase vem uma bela onda de pensamentos otimistas ao perceber que a natureza não está ameaçada, nós humanos é que estamos.Dessa forma após nossa partida a vida na terra vai reflorescer  e nossa passagem aqui não será mais que um espirro para o planeta e todo o plástico e todo o concreto deixado por nós será tomado por plantas rasteiras e novas espécies de animais surgirão após seus ancestrais terem tomado as desertas metropolis no passado ocupadas por homens.
O homem que se acha tão esperto e tem respostas para tudo, já treina astronautas para irem a Marte e pensa estabelecer um lar na lua, todas tentativas de fugir do seu quarto  bagunçado, pois acham que já é todo conhecido, que os mistérios existentes atrás do quarda-roupa já foram desvendados e o monstro que mora debaixo da cama já foi morto e enforcado.
Mas cabe falar do desimportante (para os homens) mundo dos oceanos, imenso tapete azul que serve apenas para levar os navios mercantes de um lado para o outro, de vez em quando é perfurado na busca de uma coisa preta que eles chamam de petróleo,é moradia também de peixes de metal que carregam bombas, e só, apenas para isso serve os oceanos. Mas que bom que o resto dele foi ignorado agora os homens querem sair do planeta e os deixaram pra trás.
Deixaram para trás a beleza deslumbrante de um mundo moldado sem gravidade, onde animais pesando toneladas flutuam e outros pesando gramas rastejam, um mundo onde cores em abundancia neutralizam a forma deixando tudo difícil de dizer se é bicho ou planta.E formas essas que estão dentro de outras formas, que estão dentro de outras formas, que estão dentro de outras formas. Coisas que o homem cientifico foi embora e não notou.
E agora o planeta terra está inabitado, a séculos, a milênios sem ver uma única pegada de botas a não ser aquelas deixada em concreto fresco, o importante mundo da superfície foi deixado para trás já sem tantas formas nem cores. Mas a vida dar um jeito, relembrando a mais remota teoria do homem cientifico, um peixe saiu do mundo desimportante para o mundo importante, criou pernas e continuou a caminhar, e atrás dele veio outro, e mais outro.
O desimportante tornou-se importante, e a natureza tratou assim de deixar tudo igual novamente em valores, ela que faz isso tão bem, agora admira orgulhosa um mundo equilibrado em que o menor ser tem igual importância ao maior, seres sem limites de forma nem cor compartilhando extrema beleza, um jardim natural em escala global que curiosamente do espaço dar para ver, e ler uma frase com letras em florestas amarelas que diz espero que não volte nunca mais.